O amor aos inimigos

É um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um dever que requer o exercício da vontade. <br><br>No tempo de Jesus, como hoje, as relações interpessoais são caracterizadas geralmente por uma marcada distinção entre amigos e inimigos. No entanto, em contraste com o que, normalmente, acontece na sociedade circundante, os cidadãos do reino são chamados a amar o próximo como a si mesmos, incluindo os seus inimigos. Isto se contrapõe à atitude comum e corrente expressa no ensinamento dos mestres da lei, à qual Jesus Cristo faz referência quando diz: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo” (Mt 5.43). Tal ensinamento assume a tendência natural pecaminosa que se omite à vontade de Deus para as relações humanas, a qual coloca o amor ao próximo no mesmo nível do amor a Deus (cf. Mc 12.28-34; 1Jo 4.19-21).<br><br>O amor aos inimigos não se reduz às palavras. Traduz-se em um estilo de vida que reflete o amor de Deus revelado em Jesus Cristo — um amor que se estende a todos os seres humanos sem exceção, tanto a bons como a maus, tanto a justos como a injustos. Para ilustrar este caráter abrangente do amor a que faz referência, Jesus menciona:<br><br>1. Três ações positivas: a) “fazei bem aos que vos odeiam” (Lc 6.27c); b) “bendizei os que vos maldizem” (v. 28a); c) “orai pelos que vos caluniam” (v. 28b). <br><br>2. Duas ações de omissão: a) “Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra” (v. 29a). Não há lugar para a violência nem sequer em resposta à violência. b) “e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses. E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir” (v. 29b-30b). Nem mesmo há lugar para a queixa, pelo menos não para a queixa separada do amor.<br><br>Com o risco de não se compreender o sentido das ações mencionadas, estas não devem ser interpretadas literalmente. Com base em uma aproximação literal, alguém poderia argumentar, por exemplo, que, se o golpe do inimigo não fosse no rosto, mas sim na boca, o agredido teria liberdade para devolvê-lo. As ações que Jesus menciona são ilustrações que têm o propósito de destacar a importância de tratar todos, inclusive os inimigos, com o amor característico de Deus. Tanto as ações positivas como as de omissão se resumem na exortação a que se trate os demais do mesmo modo como se deseja ser tratado (v. 31). Sob a perspectiva de Jesus, não é suficiente abster-se de fazer o mal; há que ir além e fazer o bem. A ética do amor-entrega transcende a ética meramente humana (v. 32-35a). Modelado pelo próprio Deus, o amor-entrega é incondicional: faz bem a quem não merece que se faça bem e empresta a quem não merece que se empreste, e o faz sem esperar recompensa. É a marca dos filhos e filhas de Deus, cuja bondade se estende inclusive aos “ingratos e maus” porque ele é compassivo (v. 35b-36). “Deus é amor” (1Jo 4.8) — amor-entrega e, como tal, incondicional. E os filhos e filhas de Deus se identificam como tais na medida em que refletem o seu amor-entrega nas suas relações interpessoais e sociais, inclusive com os inimigos.

Postou  69 Visualizações atualizado 19 days ago

o mais radical e, como tal, desconcertante, é o seu ensinamento sobre o amor aos inimigos, ao qual se refere no Sermão da Montanha (Lc 6.27-36; cf. Mt 5.43-48). A prática do amor ao próximo sem acepção de pessoas, inclusive aos inimigos, é a nota distintiva da política do reino de Deus. Como tal, distingue os cidadãos do reino e os assemelha ao Deus de Jesus Cristo, o Deus que é amor, amor-ágape, amor-entrega (cf. 1Jo 4.8). 


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